O partido da Hermeneutica Psicodélica

Companheiros, desde o fim da presença potente do Macaco Tião, a representatividade política brasileira desfalece. Não se iludam! A falência é internacional. As estratégias da contracultura ficaram água abaixo e o movimento esquerdista se aliou ao Caracinza, inimigo declarado no Principia Discordia, se aliando aos alicerces que visava destruir.

Com a finalidade expressa de fazer piada em forma de política e política em forma de piada, de atravessar o groucho-marxismo e situar-se junto ao anarquismo zen-discordiano, eis que tomou forma em 02 de outubro de 2005 o P.I.P.A.: Partido Internacional Parrachiano A(Narco)ZenDiscordiano.

O PIPA iniciou sua atuação política com as des-candidaturas de Timóteo Pinto, Fernando Rivelino, Geo Abreu, vereadora Pagu e Madame Lily. Com distintos mandados e planos de desgoverno, os excelentíssimos membros do PIPA, defenderam da infantocracia até a sexualidade radical da terceira idade. Contra um mundo regulado pela ordem, o delírio, a insubmissão pueril e insossa. O sexo e não a sexualidade. As multiplas realidades e não o haldol!

Ativistas do multiverso e adeptos da transliteração: Filiem-se ao P.I.P.A.! ::: O Partido da Hermenêutica Delirante

A filiação é gratuita e o amor universal.

A PIPA VAI VOAR!

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O P.I.P.A. na Internet

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MANIFESTO ANARCOFÁGICO

O mundo é grave, absurdo & inexorável, & carece de Arte & Humor – vitaminas essenciais para suportarmos o tédio existencial.

A dimensão intelectual é um arcabouço de imbecilismo, forrada com uma ciência selvática & caduca, atravessada por sistemas filosóficos medíocres & sustentada pelo autoritarismo de autores sacrossantos – Freud, Marx, Kant & outros endeusados pelo fetichismo acadêmico. Faço deste manifesto um convite aos Artistas & Intelectuais a subverter & transgredir este cenário estupidificante.

Este é um manifesto, sobretudo, pela Arte & pelo Humor.

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Se religiões organizadas são o ópio do povo, então religiões desorganizadas são a maconha da turba lunática.
Principia Discordia – Kerry Thornley

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Os Anarcofágicos – anarco (relativo a anarquia) & fagia (do grego, phagein: come) – são devoradores de teorias, lógicas, paradigmas & cosmovisões que não adoptam ideologias, valendo-se de teorias provisorias para fragilizar as demais.

Para além da refutação higienizadora & massiva, os Anarcofágicos entendem que para activar a imaginação, o delírio & o prazer das massas eles devem perfurar a dimensão mais quotidiana da vida humana promovendo:

a) arte transgressora, como prazerosa alucinação colectiva, & não reduzida a produto, espectáculo, poder de impacto ou militância ideológica;

b) humor como último argumento contra o tédio existencial, aproveitando a capacidade dele pautar símbolos, reforçar estigmas, criticar comportamentos, derrubar estereótipos & satirizar arquétipos – Zero Mostel disse que “o grau de liberdade que há em qualquer sociedade é directamente proporcional ao riso que nela existe”.

Theodor Adorno estabeleceu o excêntrico como critério da arte: “a arte é a antítese social da sociedade, & não deve imediatamente deduzir-se desta” & Vladimir Maiakovski atribuiu um carácter construtor à arte: “a arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”. Adorno errou considerando a arte apenas em sua dimensão social & Maiakovski esqueceu do poder de desconstruir da arte, como ilustrou endogenamente Roberto Piva: “arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos”. Esta é a aposta da Arte Anarcofágica.

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O INTELECTUAL ANARCOFÁGICO

Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo, sou amplo, vasto, contenho multidões.
Walt Whitman

O Intelectual Anarcofágico é multidisciplinar & apela mais para a aparência das argumentações do que as suas consistências lógicas – acreditando que mais vale a beleza das ideias do que a coerência com a realidade absolutizada pela razão, como manifestou Charles Bukowski: “não confio muito nas estatísticas, porque um homem com a cabeça dentro de um forno acesso & os pés no freezer, estatisticamente possui uma temperatura média”.

As armas de combate dos Anarcofágicos é a Arte Anarcofagica, a Ciência Experimental, a `Patafísica, o Ensaísmo Lírico & o Humor Contundente.

Os Anarcofágicos não representam um grupo de esquerda & acreditam que “se a revolução não servir para dançar e rir, não será nossa revolução”, como escreveu Bob Black, um Groucho-Marxista Anarcofágico.

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ARQUI-INIMIGOS E ALIANÇAS

1ª Lei Absoluta: PATAFÍSICA- Tudo é decidido pela imaginação e não pela razão.
2ª Lei Não Absoluta: Não encher as caras aos domingos.
Quem quer fazer sentido?
A realidade é relativa;
A Fantasia é bem melhor;
Arte, Poesia e Loucura.
3ª Lei Absoluta: Usar LSD.
4ª Lei Absoluta:

Enlouquecer a Política.

5ª Lei Absoluta: Nenhum tipo de censura. Mandar as preposições e a gramática pro inferno!
6ª Lei Absoluta: O que fazer em casos de incêndio? Deixe queimar!
7ª Lei Absoluta: Jogar uma garrafa de conhaque no Delírio Coletivo
8ª Lei Absoluta: DELIRAR.
9ª Lei Absoluta: Assassinar a monotonia causada pela razão.
Leis Absolutas do Delírio Coletivo – Por Fada Verde

Arqui-inimigos & alianças são deliberações dos Anarcofágicos. Aos arqui-inimigos oferecemos extermínio argumentativo & às alianças oferecemos ajuda apologética de suas bandeiras & causas.

Os Intelectuais Gramscianos são arqui-inimigos dos Anarcofágicos – defendem certos princípios & acreditam dogmaticamente em somente uma forma de mudança social, geralmente doutrinados acriticamente pelos que se dizem críticos.

O Niilista também é um dos arqui-inimigos dos Anarcofágicos – por jogarem cobardemente com a sua existência.

As alianças são com os Antiproibicionistas – entendendo os direitos humanos & os anseios libertários da percepção -, & com os Discordianos – responsáveis por operações como a Libertação dos Anões de Jardins & a Operação:Mindfuck (criação de uma zona onde a normalidade e o comum sejam suspensos e trocados pelo anormal e incomum).

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MILITÂNCIA & REIVINDICAÇÕES

“Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação.
Manifesto Surrealista – André Breton

As bandeiras & reivindicações são renovadas pelos Anarcofágicos com frequência & cada Anarcofágico tem a liberdade de escolher se vai militar por elas & quais vai adoptar, assim como propor a inclusão de novas.

Os Anarcofágicos defendem a cultura popular, o folclore, o jardinismo da área urbana, a transformação de praças publicas em centros de cultura & arte, as terapias naturais & artísticas, os direitos humanos, o antiproibicionismo, a flexibilidade da língua, o zombar filosófico – “zombar da filosofia é realmente filosofar”, como escreveu Blaise Pascal (1623-1662) -, o culto da percepção & da sensibilidade, a ventilação da arte & a democratização da dimensão artística da vida quotidiana.

Os Anarcofágicos reivindicam: uma edição higienizada & conservada do Kama Sutra para as próximas gerações, cotas para desenhos infantis que reproduzem músicas clássicas, o fim da avaliação valorativa (de 0 a 10) propondo a promoção das avaliações adjetivas, a proibição moral de dar nós nas sacolas – responsável por significativa carga de stresse da humanidade -, & a liberdade do compositor brasileiro – “aí chegou o gringo com o sequencer para prender o músico brasileiro na camisa-de-força do metonímico 4/4 rock-pop-box.” como escreveu Tom Zé.

in: anarcofagia

“No manifesto e nos textos escritos posteriores, os surrealistas rejeitam a chamada ditadura da razão e valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e honra. Humor, sonho e a contra-lógica são recursos a serem utilizados para libertar o homem da existência utilitária.” – André Setaro

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Delírio Coletivo

por Fada Verde

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E fez-se a luz!

Ou não.

Período Nonsense

Ao longo da história, a maioria dos movimentos literários e artísticos contradiziam o movimento anterior. O Renascimento foi contra tudo o que a Era Medieval disse, o Realismo negava os fundamentos do Romantismo e assim por diante.

Já o movimento Nonsense resolveu que não gostaria de contradizer o movimento anterior, no caso, o Modernismo e a Pop Art, o Nonsense quis negar absolutamente tudo e/ou não negar absolutamente nada.

Sob a máxima “Pra que fazer sentido!?”, esse movimento cria uma contradição de tudo e dele mesmo, com raízes em todos os estilos literários e tendo por característica a abolição da linguagem figurada, nada mais era figurativo, tudo era real, e o que era real não existia, ou existia, ou o que quer que o leitor prefira.

O que aconteceu foi que no fim do século XX e começo do século XXI, com o fim da Guerra Fria, a ascensão dos EUA como maior força política e econômica do mundo, detendo um poder quase imperialista e com a estagnação de todo e qualquer movimento revolucionário, o mundo conheceu um período de conformismo em que qualquer coisa era uma revolução. Andar fantasiado, por exemplo, ou simplesmente usar um nariz de palhaço pela rua, já causava um grande choque por quebrar a monotonia cotidiana. O movimento DC, autor da obra Sofia, foi um dos primeiro a notar isso e adotar a idéia do Nonsense.

Da idéia para a prática foi um pulo. Embora no começo, apenas algumas pessoas tivessem adotado essa “revolução”, assim como em qualquer outra já ocorrida, o clima e as idéias sem sentido foram tomando proporções mundiais e o mundo conheceu uma época maravilhosa, onde a espontaneidade e a imaginação tomaram conta de todos e tudo passou a ser fantástico e irreal. Chegou até a haver um certa desaceleração nas pesquisas cientificas, afinal não importava mais provar que pode-se dividir uma célula infinitamente.

Antes desse movimento, as pessoas buscavam uma explicação científica para tudo, mas depois ninguém mais queria a explicação lógica e inteligente. Todos perceberam que a fantasia era bem melhor, que cada um poderia formular sua própria teoria para qualquer coisa, todas as lendas sobre os “porquês” voltaram à tona e todos os povos buscavam as raízes de suas culturas para saber algo, quando não encontravam, criavam uma nova cultura.

Em meados da década de 10 do século XXI, o mundo já não fazia sentido algum. Viam-se pessoas fantasiadas, nas ruas, nos supermercados e até nos escritórios você encontrava pessoas vestidas de Pantera Cor-de-Rosa ou Smurffle.

As casas tinham pinturas psicodélicas e, às vezes, achavam-se florzinhas desenhadas no meio da rua.Com a população nesse incrível estado de espírito, era natural que as artes também seguissem esse caminho.

Leis “Absolutas” (entre aspas por que já houve quem achasse que estamos falando mesmo de Leis Absolutas) do Delírio Coletivo

1ª Lei Absoluta

PATAFÍSICA- Tudo é decidido pela imaginação e não pela razão.

2ª Lei Não Absoluta

Não encher as caras aos domingos.

Quem quer fazer sentido?

A realidade é relativa;

A Fantasia é bem melhor;

Arte, Poesia e Loucura.

3ª Lei Absoluta

Usar LSD.

4ª Lei Absoluta

Enlouquecer a Política.

5ª Lei Absoluta

Nenhum tipo de censura.

Mandar as preposições e a gramática pro inferno!

6ª Lei Absoluta

O que fazer em casos de incêndio?

Deixe queimar!

7ª Lei Absoluta

Jogar uma garrafa de conhaque no Delírio Coletivo

8ª Lei Absoluta

DELIRAR

.9ª Lei Absoluta

Assassinar a monotonia causada pela razão.

 

Loucura Lúcida

Não conseguir fugir da realidade significa um excesso de lucidez ou extrema loucura? A resposta confirmaria minha tese poética-lunática, de que não só o excesso de lucidez leva a loucura como o excesso de loucura leva a lucidez.

Se minha realidade é na verdade uma ilusão, quando tento fugir dela, tento alcançar a realidade? Ou migro de ilusões em ilusões? Se as realidades são múltiplas a tentativa de alcançar a realidade única em que todos se enquadram seria uma farsa. Talvez todos vivam em suas respectivas ilusões, que criamos e recriamos. Se pertence a cada sujeito que a resolva viver, a realidade sim que é uma ilusão, a ilusão da ilusão. A ilusão é uma realidade. A realidade está fora ou dentro? do exterior ou do interior? O que faz pensar quantas realidades seriam possíveis. Infinitas. Nos casos que unem mais indivíduos, podemos denominar precisamente como o fenômeno do Delírio Coletivo.

Se produzimos a realidade ilusória, o que é loucura? Como são diversas as loucuras, digo, ilusões, realidades. A metafísica disso tudo é expressa pela loucura de Deus, o tal dançarino do qual falava Nietzsche, que nos criou a sua imagem e semelhança, como deuses de nossas próprias loucuras. Fato é que nelas podemos fazer o que quisermos dentro dos limites da loucura de Deus.

Dizem por ai, que o sóbrio é aquele que sabe distinguir a realidade da fantasia, mas o que dizer se somos máquinas de produzir fantasias? Certamente jamais será possível olhar um homem despido de seu imaginário. Ilusões sobrepostas numa translucidez aguda. Perceber que está iludido não significa que nos livramos da ilusão se ela é real. As ilusões/realidades se desdobram uma fora da outra. Se trancafiamos alguns de nós dentro das salas estofadas, é porque os condenamos pelo abuso da criatividade.

O excesso de lucidez, faz perceber a ilusão real, que se exacerbada leva a loucura originária. A loucura alucinatória se levada a extremos nos leva a realidade ilusória, que é a realidade possível.